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Índice de reclamações contra planos de saúde quadruplicou em dez anos

Por Redação Planoscópio · Publicado em

O índice de reclamações contra planos de saúde médico-hospitalares no Brasil ficou 4,4 vezes maior em dez anos. Na mediana dos 12 meses de 2015, a ANS registrava 12,5 reclamações por 100 mil beneficiários por mês; de set/2025 a ago/2026, foram 54,6. O número vem do IGR, o Índice Geral de Reclamações da ANS, recalculado pelo Planoscópio para o mercado inteiro.

O que é o IGR

O IGR conta as reclamações de consumidores registradas na ANS pela Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) e divide pelo número de beneficiários da operadora. O resultado sai por 100 mil beneficiários, para que uma operadora com 4 milhões de clientes e outra com 50 mil possam ser comparadas na mesma régua. Quanto menor o IGR, melhor.

Pela metodologia em vigor desde dezembro de 2022, entram as reclamações resolvidas na intermediação, as não resolvidas, as improcedentes e as que ainda estão em andamento. O dado é mensal e a ANS publica toda a série desde 2015 num arquivo único de dados abertos.

O mercado inteiro piorou

A tabela mostra a mediana dos valores mensais em cada ano, para todas as operadoras médico-hospitalares com IGR publicado. O índice do mercado é a soma das reclamações dividida pela soma dos beneficiários, não a média dos índices de cada operadora.

PeríodoIGR do mercado (mediana mensal)
201512,5
201613,0
201714,3
201815,5
2019 (jan/2019 a abr/2019)17,6
2021 (mai/2021 a dez/2021)32,7
202235,3
202354,5
202458,3
202549,3
2026 (jan/2026 a ago/2026)54,6
Fonte: ANS, dados abertos do IGR (arquivo pda-023-igr.csv, competências de jan/2015 a ago/2026), cobertura de assistência médica. Cálculo do Planoscópio. O arquivo da ANS não traz os meses de mai/2019 a abr/2021.

O salto maior veio de 2022 para 2023. Desde janeiro de 2024, o índice mensal ficou entre 41,5 e 63,5, e o último mês publicado, ago/2026, ficou em 60,2.

Uma cautela: em dezembro de 2022 a ANS mudou a fórmula (o multiplicador passou de 10 mil para 100 mil e as reclamações em andamento passaram a contar). A série que a ANS publica hoje não tem um salto de 10 vezes nessa data, o que indica que ela foi recalculada na régua nova. Mesmo assim, parte da alta pode vir de mais gente conhecer e usar o canal da ANS, e não só de mais problema com as operadoras.

As maiores operadoras

Para as operadoras com mais de 500 mil vínculos, a tabela usa a mediana dos 12 meses de set/2025 a ago/2026, que é menos sensível a um mês fora da curva do que o último valor isolado. A ordem é pelo tamanho, não pelo índice.

OperadoraVínculos (jul/2026)Reclamações em 12 mesesIGR (mediana de 12 meses)
Hapvida4.350.01422.15241,9
Bradesco Saúde S.A.3.373.04227.43168,5
Hapvida NotreDame SP/RJ3.240.54627.70172,2
Amil3.199.67322.38362,5
SulAmérica Seguro Saúde2.430.13625.39289,9
Unimed CNU1.709.07911.88258,5
Unimed BH1.623.7557.90239,9
Seguros Unimed1.020.1676.40854,3
Porto Seguro Saúde863.5385.89763,3
SulAmérica Paraná Clínicas731.7083.53839,6
Bradesco Saúde Operadora de Planos684.7352.88035,8
Unimed Curitiba680.5683.19641,0
Unimed Porto Alegre655.2861.57920,2
Ipasgo Saúde563.4091.11815,4
Unimed Campinas560.3761.63123,8
Prevent Senior551.0524.82772,2
Cassi530.0634.01665,4
Fonte: ANS, IGR (set/2025 a ago/2026) e beneficiários do SIB (jul/2026), só planos médico-hospitalares. Vínculos contam relações com a operadora, não pessoas. Mediana do IGR mensal calculada pelo Planoscópio.

Na mediana do mercado nos mesmos 12 meses (54,6), dá para ver quem está acima e quem está abaixo. Cada nome leva à página da operadora, com a série mês a mês.

Por que o número de reclamações sozinho engana

Olhar só a quantidade de reclamações favorece as operadoras pequenas: quem tem mais clientes recebe mais reclamações, mesmo que trate cada um igual. Por isso o IGR divide pelo número de beneficiários. Mas a divisão tem o problema oposto: com poucos beneficiários, uma única reclamação faz o índice disparar.

Um caso real da própria série da ANS: em 2015, uma operadora tinha só 5 beneficiários registrados. Uma reclamação num mês deu IGR de 20.000, sem que nada tivesse mudado na operadora. É por isso que a ANS publica o porte (pequeno, médio ou grande) ao lado do índice.

  • Compare operadoras do mesmo porte. O IGR de uma operadora pequena varia muito de um mês para o outro.
  • Olhe vários meses, não um. A mediana de 12 meses diz mais do que o mês mais recente.
  • Compare com o mercado. Se o mercado inteiro subiu, uma operadora que subiu junto não piorou mais do que as outras.
  • Lembre o que ele não mede. Reclamação feita só na operadora, no Procon ou em sites de reclamação não entra no IGR.

Quer ver a sua operadora? A página de cada operadora mostra o IGR mês a mês, com o do mercado ao lado, além da nota IDSS e do reajuste.

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Perguntas frequentes

IGR alto quer dizer que a operadora é ruim?

Não sozinho. Ele diz que, proporcionalmente ao tamanho, mais clientes levaram uma reclamação até a ANS. Vale olhar junto com a nota IDSS, o histórico de reajuste e a própria rede de atendimento.

Onde a ANS publica o IGR?

Nos dados abertos da ANS (arquivo pda-023-igr.csv) e na página “Índice de reclamações” do site da agência. O Planoscópio usa o arquivo de dados abertos e mostra a competência de cada número.

Como registrar uma reclamação que entra no IGR?

Pelos canais de atendimento da ANS, como o Disque ANS (0800 701 9656) ou o formulário no site da agência. A reclamação abre uma NIP, e a operadora é notificada para responder.

Fontes